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Em cada um de nós existe um poema .
Um por escrever ... um escrito que se quer procurado ... e se mantêm escondido na alma ... no coração.
Ser poeta ... não é escrever poemas.
É saber descobrir na poesia ...
a parte que falta em si ...
a parte que falta ... nos outros .

Urbano Gonçalo




terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Consequência ... dos semáforos

Odeio os semáforos.

Em primeiro lugar porque estão sempre vermelhos quando temos pressa e verdes quando não temos nenhuma, isto sem falar do amarelo que me provoca sempre uma indecisão tremenda: travo?travo ou acelero? acelero ou travo?!!!
Acelero, depois travo, volto a acelerar e ao travar de novo já me entrou uma furgoneta pela porta do passageiro dentro, já se juntou uma assembleia de gente sedenta por sangue fresco, já um tipo qualquer saiu da furgoneta com um pé de cabra na mão a chamar-me "camelo", já a companhia de seguros se torna difícil de contatar.
Na semana a seguir já não tenho carro, fico na beira do passeio a fazer sinais qual náufrago aos táxis. Pago um dinheirão por cada viagem e como se não fosse isso suficiente, ainda tenho de aturar o pirilampo mágico (o boneco de caridade!) a Nossa Senhora de alumínio no tablier, o esqueleto de plástico pendurado no retrovisor, o autocolante da pin-up não sei quantas.

Outra das razões para eu não gostar dos semáforos, é porque sempre que paro num deles, surgem-me no vidro da janela criaturas surreais ou inverosímeis: vendedores de jornais, vendedores de pensos rápidos, as senhoras virtuosas da liga do coração, do cancro, dos cegos, etc.


O sujeito tuberculoso (com o devido atestado!), toda a casta de aleijões (microcefálicos, coxos, marrecos, estrábicos divergentes e convergentes, bócios, dirigentes de partidos políticos, etc.

Resultado: no primeiro semáforo já não tenho trocos. No segundo não tenho casaco. No terceiro não tenho sapatos. No quinto estou nu. No sexto dei o "carocha". No sétimo aguardo que a luz passe a encarnado para assaltar por meu turno, de mistura com uma multidão de bombeiros, de estudantes, de drogados e de microcefálicos o primeiro automóvel que aparecer.
Em média calculo que mudo cinco vezes de vestimenta e de carro até chegar ao meu destino, e quando chego, ao volante de um velho camião TIR, a dançar numas Levi´s emprestadas, os meus prezados amigos ainda se queixam de eu não chegar nunca a horas !!!!!!!!


António Lobo Antunes.


6 comentários:

Regina Rozenbaum disse...

kkkkkkkkk rio pq é exatamente assim por aqui tb! Acrescido de que quando vamos estacionar o carro lá vem os tomadores de conta (donos da rua!)a nos exigir dinheiro (e não qq moeda)para vigiar o carro. Se não damos corremos o risco de encontrá-lo arranhado, com os pneus no chão, etc. Amigo, o que é vendedores de penso rápido?
Beijuuss n.a.

Juliana Matos. disse...

Querido, é assim mesmo como vc descreveu! Dá uma agonia que, finais de semana eles estão todos verdes e no meio da semana, socorro!!!!
Eita mundos parecidos!!! rsrsrs

Um abraço!
Boa indignação rs

Juliana

Fatima disse...

Voltei meu doce de coco!
Bjs.

Regina Rozenbaum disse...

Meu querido, voltei pra deixar oficialmente o novo url: www.divadaregina.blogspot.com e reiterar o pedido pra que o mofique aqui no seu Delicado Som do Silêncio.
Mais beijuuss n.a.

Anónimo disse...

Esta crónica é de António Lobo Antunes....do seu primeiro livro de crónicas

Bárbara Rebocho disse...

As fotos dos Pink Floyd a meio da crónica enquadram-se tão bem...

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