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Em cada um de nós existe um poema .
Um por escrever ... um escrito que se quer procurado ... e se mantêm escondido na alma ... no coração.
Ser poeta ... não é escrever poemas.
É saber descobrir na poesia ...
a parte que falta em si ...
a parte que falta ... nos outros .

Urbano Gonçalo




sexta-feira, 17 de maio de 2013

Novo romance ... III


... se dúvidas eu tivesse, elas ficaram desfeitas.
Naquela discussão entre a minha mãe e a Catarina, eu fui por certo o tema.
Com mil coisas a deambular na minha cabeça, deitei-me por cima da cama, numa tentativa vã de visualizar as soluções para o meu problema, no teto do meu quarto.
No dia seguinte, esperei Catarina sentado à porta do seu apartamento.
Cansado de a procurar, de lhe bater diariamente à porta sem obter resposta sequer, optei por uma medida mais drástica.
Mais ou menos à hora habitual, ela chegou.
Vinha no carro de uma amiga, despediram-se e vi ela entrar no prédio.
Como o elevador estava funcional, ela não se descalçou como habitualmente fazia, para ocultar o som dos sapatos de salto alto. Senti o elevador a subir e por fim a porta abriu-se, ficando ela a olhar para mim.
-Bom dia! - disse.
Dirigiu-se à porta, abriu-a e disse-me:
- Entra!
Assim fiz, ela seguiu-me. Deixou o casaco e a carteira na cadeira do Hall, tirou desta feita os sapatos e eu via-a muito pensativa.
- Vem cá! - disse, pegando-me na mão e levando-me a sentar junto de si no sofá.
Olhou-me demoradamente, eu atónito tentei dizer algo. Ela antecipou-se então.
- Precisamos de conversar Gonçalo! - começou - Sei que estás muito confuso, imagino que terás muitas perguntas, e por certo imaginas muitas respostas às mesmas!
- Diz-me só, porque te distancias de mim! - pedi-lhe eu.
Catarina levantou-se, puxou o seu cabelo negro encaracolado para trás, e colocou a mão na testa. Depois voltou-se e disse:
- Quantos anos tens Gonçalo?
- Quase dezanove! - respondi.
- Quase dezoito. - corrigiu ela.
- Sabes quantos eu tenho?!!
- Trinta?!!
- Trinta e quatro! - exclamou ela, enquanto vagueava pela sala.
- Sabes - continuou - em que trabalho?!!
- Sei! Trabalhas num bar!
- Sabes que é um bar de "Strip"?!!
- Já ouvi dizer, claro! Mas ... tudo o que pensas importante pela negativa, não me diz rigorosamente nada. O que me importa, me interessa ... és tu!
Ela olhou-me fixamente durante alguns segundos e perguntou-me:
- O que sentes por mim Gonçalo?
As minhas palavras, tinham saído diretas do coração. Com aquela pergunta fiquei entre a cabeça e o coração, que é para não dizer, entre a espada e a parede. Apercebi-me então que as lágrimas que surgiam nos olhos de Catarina, mereciam toda a verdade, apenas e só.
Peguei-lhe nas mãos, respirei fundo para tentar libertar a minha garganta e o meu peito. Por fim, respondi-lhe:
- Na verdade Catarina ... estou apaixonado por ti! Não me importa diferenças de idades, profissões, mentes dos outros ... o mundo, eu sei lá que mais!
Só tu me importas, só quero saber ... se sentes também tu, algo por mim.
Catarina chorava já. Os seus lábios finos tremiam e as suas mãos começavam a apertar as minhas.
- Eu ... eu não sei o que te dizer! - respondeu-me, enquanto procurava nos meus olhos uma qualquer resposta - Na verdade calculava o que sentias por mim, sei que te levantas tão cedo por mim, sei que nunca ligas nada às miúdas da tua idade, apesar de seres muito pretendido.
Catarina largou-me as mãos e dirigiu-se lentamente à janela limpando as lágrimas dos olhos. Durante alguns segundos ficou em silêncio a sós com os seus pensamentos, até que por fim disse:
- Sabes ... eu sinto o mesmo por ti Gonçalo! Também eu estou apaixonada por ti, e estou cansada de todos os dias lutar contra isso!
Ocupas os meus pensamentos todo o dia, quando estou contigo recupero-me onde me perdi, mas ... não sei Gonçalo, não sei o que fazer. Se por um lado quero afastar-me, por outro sinto que se o fizer perco algo que eu nunca mais terei ...
Agarrei Catarina pela mão, limpei-lhe as lágrimas
e beijei-a.
Aí soube, que venderia a alma e o mundo ... por ela.  






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