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Em cada um de nós existe um poema .
Um por escrever ... um escrito que se quer procurado ... e se mantêm escondido na alma ... no coração.
Ser poeta ... não é escrever poemas.
É saber descobrir na poesia ...
a parte que falta em si ...
a parte que falta ... nos outros .

Urbano Gonçalo




quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

O gesto de uma criança


Véspera de Natal, manhã de sol dia de temperatura amena.
Passeio avenida fora em passada calma, gosto de apreciar a paisagem gosto de viver entre várias árvores e campos. Não obstante consigo ver o meu amigo mar e as suas ondas repletas de espuma cujas gaivotas adoram sobrevoar, um pouco mais ao longe.
Passeio sem rumo aparente, passeio mil ideias, problemas ... tormentos.
Os meus passos levaram-me até ao cemitério da vila, levaram-me até ao jazigo da minha mãe. Não sou muito de fazer estas visitas confesso, quando o coração carrega diariamente as pessoas que amamos, não vejo grande utilidade em rever vezes sem conta, o sítio onde as "perdemos" definitivamente neste mundo.
No entanto por vezes faço-o, e nesse dia assim foi.
Junto ao jazigo da minha mãe apenas uma leve brisa se movia, ali estive algum tempo ( apenas o suficiente para lhe contar as minhas últimas peripécias, medos, rejeições,dúvidas, etc ), enfim coisas que só alguém daquele lado escuta sem responder, julgar, criticar. Durante a minha visita (quase no fim!), apercebi-me de alguém se aproximar no jazigo ao lado. Olhei pelo canto do olho pois não pretendia companhia naquele momento, era um miúdo aí dos seus cinco seis anos, aproximou-se de um jazigo e ali ficou imóvel rezando, depois acendeu uma vela arranjou as outras limpou uma lágrima que lhe caía cara abaixo e beijou a fotografia de uma velha senhora na lápide.
Passou ainda por mais dois jazigos, eu olhei em volta para ver com quem estava aquela criança, mas ... ele estava sozinho.
Despedi-me da minha mãe, com o pensamento no miúdo, nunca vi uma criança tão ... adulta, a visitar entes queridos, a emocionar-se assim.
Ao longe vi-o por fim ir de encontro a um adulto que estava numa capelinha a rezar.

Aquele miúdo, foi para mim a prova mais cabal do espírito de Natal.
Sem compras, sem obrigações, apenas e só bondade, gentileza, sensibilidade e amor.


 

1 comentário:

Regina Rozenbaum disse...

Momento íntimo que só vc e o miúdo sabem bem o que se sente...Como você, tb não tenho hábito de fazer essas visitas. Não careço! Tenho ela, minha PÃE, diariamente aqui comigo. Agora mesmo, enquanto arrumava as flores no vaso conversava com ela (ela tinha uma paixão e-nor-me por elas) lembrando como me ensinou a fazer os arranjos "trazendo alegria e mais vida" pra casa. E essa foto sua? Pensando em quê? Hum...vou adivinhar: no novo ano? Em tudo que dará sequência nas construções diárias, em como jogará fora aquilo que não serve mais e só atrapalha? Então, meu querido desejo que 2013 seja recheado de bençãos e que não conte os dias, mas que faça cada um deles contar VIDA vivida!
Beijuuss e feliz 2013 procê(s)

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