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Em cada um de nós existe um poema .
Um por escrever ... um escrito que se quer procurado e se mantêm escondido na alma ... no coração.
Ser poeta ... não é escrever poemas.
É saber descobrir na poesia ... a parte que falta em si, a parte que falta ... nos outros .

Urbano Gonçalo




sábado, 8 de maio de 2010

Nós que escrevemos ...


Passeio o meu aborrecimento pela casa fora, sentando-me por fim num dos sofás na sala, e observo atento as minhas filhas. A Érica (mais velha) estava com o portátil a dar uns valentes pontapés na gramática, mais os/as suas amigas no " Messenger".
Coisas do tipo: -Tpas? Ela kalou porké tótó xata ou croma!!!
Era uma vez o Português, pensei eu. A Matilde (mais nova) rebolava-se pelo chão da sala em frente à TV. Claro que até ela já se apercebera de quantas vezes aquele filme já por lá passou (às vezes a publicidade até faz jeito! Lá vai aparecendo alguma coisa milagrosa nova). Entretanto a Érica largou o PC (ficou OFF), e pegou logo no telemóvel (quando não há pão ... até as migalhas vão!).
Eu aproveitei e "sakei" o PC à Érica (isto é contagioso!!), começando a trabalhar nele.
Dai a pouco a Matilde veio para junto de mim, e ficou ali a observar-me (desconcentrar-me!). - Papá! - disse por fim - O que estás a escrever?
- A história da formiguinha Mimi, para enviar para aquele concurso, lembras-te?
- Sim! Já sei.
Continuou por ali mais um pouco e voltou à "carga".
-Papá, sabes essa história toda de cor?
Achei-lhe piada, e expliquei-lhe que apenas me limito a passar para o papel (computador neste caso!), as frases que me vão surgindo na cabeça sem parar, tentando não perder nenhuma.
Alguns dias depois, enquanto tratava do jantar (sim, sou eu!), perguntei-lhe como de costume: - Matí, tens trabalhos de casa?
- Tenho, é escrever um texto.
- Então vá lá!
- Ó pai! Não tenho ideias, dá-me tu uma.
- Qual é o tema?
- A professora disse: - Escrevam uma história sobre o Almeida. - Eu sei lá o que escrever!- diz ela de mãos na cabeça muito preocupada.
- Vou dar-te uma ideia! - disse eu - Toma este lápis e pega no teu caderno, quando deres por ela, se não me engano as ideias vão aparecer.
Voltei à cozinha e passados mais ou menos uns dez minutos fui "espreitar" ao escritório. Lá estava ela a escrever a escrever toda embalada. Aproximei-me e dei uma vista de olhos ao caderno, já tinha quatro páginas escritas com uma história até bastante engraçada (principio, meio, e fim).
- Matí!
- Sim papá!
- Sabias essa história toda de cor?
- Não!!? Não sabia!
- Então ... !!???
- Ahhh! Já me lembro papá, nós que escrevemos (queria dizer "quando" escrevemos), passamos para o papel as ideias que nos aparecem na cabeça, não é?
Ela percebera por fim, o que eu tempos atrás lhe explicara quando ela me fez a mesma pergunta.
- Pois é! Nós "que" escrevemos ... somos assim!

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