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Em cada um de nós existe um poema .
Um por escrever ... um escrito que se quer procurado ... e se mantêm escondido na alma ... no coração.
Ser poeta ... não é escrever poemas.
É saber descobrir na poesia ...
a parte que falta em si ...
a parte que falta ... nos outros .

Urbano Gonçalo




domingo, 28 de novembro de 2010

Just ... Blue !


Noite dentro, vagueio pela casa sem objectivo, sem destino aparente.
Existe um vazio em mim ... um não sei o quê permanente.
Por baixo do estore espreito a noite, espreito a Lua.
Rodeada pela sua áurea luminosa, ela domina o céu com a sua grandeza branca e cinza.
Imaginei-me lá sentado, como se de novo um miúdo eu fosse.


Como se a Lua fosse o meu porto de abrigo,
o meu local de reflexão e pensamento, e eu ...
uma espécie de Peter Pan.

Imaginei-me lá, a olhar ... para cá.

Este nosso planeta azul tão calmo, tão grande e ao mesmo tempo ... tão pequeno para nós.

Sempre que me perguntam a nacionalidade, sorrio interiormente e apetece-me dizer: -Terrestre!
Ao observar-mos a Terra lá na Lua, não vemos nenhum País, nenhuma fronteira, apenas vemos na sua generalidade e encantados o seu azul,
e sentimos de sobre-maneira que lhe pertencemos.
Não compreendo o porquê de "retalhar" o planeta em fronteiras reais ou psicológicas.
Nasci  neste nosso Mundo, nasci num planeta chamado Terra, e por casualidade (ou não!) colocou-me o destino
num pequeno pedaço dessa Terra ao qual alguém um dia chamou Portugal. No entanto, eu fui concebido, fui gerado no outro lado do planeta, num outro pedaço da Terra chamado Moçambique, assim sendo ... de onde sou? Qual a minha verdadeira nacionalidade?
Segundo por exemplo a Santa Igreja, e muitas mentes por esse mundo fora que eu respeito, um embrião é vida, existe como tal, é um ser vivo de pleno direito. Por outro lado, é o local onde eu cheguei já com nove meses de "idade" que me dá a nacionalidade, quando eu saio finalmente da minha incubadora, e do meu mundo perfeito e seguro, mesmo sem ... fronteiras.
O que é afinal ser Português, Inglês, Francês, Brasileiro, etc, etc????
É um registo, ou modo de ... ? É uma espécie de código postal ou de barras??
Qual a finalidade de tudo isto?
E tudo isto até nem me importa realmente, mas deixa-me indignado este e outros paradoxos humanos. E eles são tantos ... tantos.
Convém ao homem (nós todos, afinal!) de vez em quando sentar-se na Lua, para "se" observar, olhando a Terra.
Convém que ele veja mais vezes o nascer do sol e o por-do-sol, e que não o faça por obrigação romântica para com alguém, mas ... que o faça com o amor dentro de si, para si.
A Terra é de todos os seus habitantes.
Dá-nos tudo o que tem, atura-nos tudo e só nos pede em silêncio ... um pouco de amor, um pouco de respeito, qual mãe que adora os filhos. A pensar em tudo isto, vejo da Lua que toda a grandiosidade apregoada pelos homens, tarda em ... aparecer. Visto aqui da Lua, o que se percebe, o que se sabe e se vê, é que este lindo planeta azul, não mostra a ninguém as muitas diabruras dos seus "filhos".


Ao invés, rodeia-os de uma beleza e tranquilidade incomparável, apenas com o seu sorriso enorme e luminoso ...

      JUST BLUE



                    

David Gilmour - Música do album a solo "On an Island"

4 comentários:

Glorinha L de Lion disse...

Urbano, extasiei-me com seu post! Fiquei imaginando-me lá, sentada na lua olhando cá pra baixo...o planeta sem fronteiras, onde todos os homens, juntos em sua humanidade, sem raças, crenças, fronteiras...pudessem celebrar a paz. A tão sonhada paz nesse lindo planeta Água...Lindo, lindo, lindo! Amei ter vindo aqui nesse domingo à noite. Beijos de uma irmã em humanidade.

Fatima disse...

Ai da lua, o mundo deve ser bem mais bonito mesmo!
Bjs e uma linda semana pro cê!

Regina Rozenbaum disse...

Urbano, amado!
Deve ser mesmo uma outra visão...será que chegará um dia em que toooooodos seremos, realmente, irmãos? Será que, de mãos dadas, sem limites, abraçaremos nosso planeta em PAZ e no mais genuíno AMOR? Será?
Linda postagem + linda música!
Beijuuss n.c.

JB disse...

Sempre gostei da Lua... olhá-la traz-me serenidade e é como se todo o meu corpo até ela subisse e olhasse o horizonte com outros olhos... É realmente bela... e ali nos observa também aturando-nos em silêncio.
Do sítio onde vivemos... ou para onde vamos, a Terra nunca nos expulsa, sempre nos acolhe e nós... nós por vezes nem a sabemos admirar...
É um texto belo, que nos faz questionar, que direito temos de nos tratar assim, por vezes, tão mal...
Que bom ter vindo aqui! E este som complementa o que ficou por dizer.

Beijinho

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