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Em cada um de nós existe um poema .
Um por escrever ... um escrito que se quer procurado e se mantêm escondido na alma ... no coração.
Ser poeta ... não é escrever poemas.
É saber descobrir na poesia ... a parte que falta em si, a parte que falta ... nos outros .

Urbano Gonçalo




sábado, 7 de novembro de 2009

Espelho meu

Não tenho ao contrário de muita gente, um espelho no quarto (daqueles altos!), por isso normalmente uso o da casa de banho para o item "beleza". Mas coloquei um dos tais compridos no quarto das minhas filhotas recentemente,e invariávelmente todos os dias ao fazer-lhes as camas, deparo-me com ... "eu" indivíduo de corpo inteiro. Não é para a roupa que eu olho, não é para a proeminente "barriga"(que não tenho!) que eu olho, não ..., o que me chama sempre à atênção no "eu", é a expressão dos olhos.
Quantas vezes olhamos os nossos olhos? Não me refiro às olheiras (naturais ou de ressaca), não!
Refiro-me ao que eles nos querem dizer, e nos dizem, sem nós através deles o querer-mos ver.
O que nos perguntam, o que não podem nem querem esquecer. Limpar uma lágrima, ... não é apagar um sentimento, não é sarar uma ferida, não é esquecer algo.
Olhar de perto os nossos olhos, pode fazer-nos estremecer, pode mesmo fazer-nos perceber que dentro de nós a nossa alma vive só e a sofrer. Ao espelhar-se nos nossos olhos, ela tenta explicar-nos, fazer-se compreender, chamar-nos à vida apontando-nos os  nosso erros, mostrando-nos assim a solução.
Mas alheios aos nossos olhos, perseguimos uns quaisquer ideais, umas quaiquer ideias ou falta delas, e colocamos então uns óculos escuros nesse espelho da alma, com medo de que por acaso e só por acaso, alguém se vá aperceber, que tal como um espelho, os olhos mostram sempre muito mais do que aquilo que a gente quer ver.

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