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Em cada um de nós existe um poema .
Um por escrever ... um escrito que se quer procurado e se mantêm escondido na alma ... no coração.
Ser poeta ... não é escrever poemas.
É saber descobrir na poesia ... a parte que falta em si, a parte que falta ... nos outros .

Urbano Gonçalo




sábado, 20 de março de 2010

O sonho da minha vida.

Procuro-me sem o saber em cada esquina, em cada rua, cruzamento ou lugar obscuro. Procuro em mim, no meu olhar no meu coração no alento, e no desalento. Procuro-me no olhar dos que se me alheiam, nos que me amam e nos que me odeiam, enfim ... em todos os que me rodeiam.No meio da escuridão, numa pequena bruma  de um leve nevoeiro, encontro uma lágrima e pergunto-lhe por mim. Não sabe diz ela, e parte no suspiro que sai de mim, ouço ao longe um sorriso e corro à sua procura. Sentado na beira da estrada ele lá está sorrindo, mas não é para mim é ... de mim.Volto-me e vagueio pelas ruas do medo, do desejo, da perdição e da morte, mas não me encontro, não me vejo em nada, em ninguém. Quero sair dali, quero voltar ao caminho onde me perdi faz muito, muito tempo.Já nada me importa, abro porta atrás de porta, puxo por cada braço e vejo em cada um que puxo, uma cara sem expressão um olhar sem vida. Persigo de novo o sorriso que volto a ouvir ao longe, mas desta feita ele foge, levando consigo uma criança e eu tenho de o apanhar ... de me apanhar!
Por fim a rua fecha-se como uma porta, já farta das nossas correrias, por fim o sorriso pára e volta-se para mim mostrando-me a criança, que pousa no chão. Chego-me perto dela e ela de mim, mas não consigo pegar nela, nem tão pouco tocar-lhe, existe entre nós uma parede invisível e impenetrável. A lua iluminou a rua do meu desespero e mostrou-me os olhos da criança, tristes, sós, frágeis, ainda assim esboçou um sorriso e disse-me baixinho: - Não tenhas medo, não tenhas medo!
Senti a criança desaparecer na luz da lua, o sorriso bateu-me nas costas em jeito de despedida, e eu ali fiquei despido de tudo, apenas com a certeza de quando e onde me perdi na vida.
Acordo levanto-me e vou à janela, penso no sonho da minha vida, lembro a criança e penso que pelo menos agora sei que ... na próxima vez que a vir, já não será apenas um encontro fugaz, será apenas, será finalmente ... o final da minha vida.

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