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Em cada um de nós existe um poema .
Um por escrever ... um escrito que se quer procurado ... e se mantêm escondido na alma ... no coração.
Ser poeta ... não é escrever poemas.
É saber descobrir na poesia ...
a parte que falta em si ...
a parte que falta ... nos outros .

Urbano Gonçalo




terça-feira, 21 de setembro de 2010

Avant la grande ... finale



Antes do grande final, vamos aqui fazer um breve resumo de toda a história. Assim o leitor dos excertos, poderá ter uma visão mais global e proveitosa da história.


João é um homem viúvo na casa dos sessenta anos. Vive só pois a sua única filha Susana reside em Inglaterra (onde se casou!). Pintor de belas artes, João vive no Porto (Portugal) e tem como todo o portuense de "gema", uma paixão muito especial pela sua cidade. Após a morte da sua esposa, ele refugiou-se na sua pintura e consequentemente no seu escritório/atelier, afastando-se assim cada vez mais do mundo que o rodeia, certo de que a sua história de vida estava já escrita na totalidade. Uma viagem inúmeras vezes adiada a Inglaterra, acabou por mudar o rumo ao "resto" da sua vida, o convívio com a sua filha e restante família, com especial relevo para a sua neta Joan, viriam a devolver o nosso personagem de novo à vida.
No seu regresso, João era já outro homem. Mais aberto, falador e desinibido, redescobriu à chegada Ana. Ela que era sua governanta há vários meses, e que até aí ele mal via e mal falava com ela. Foi assim esse "outro" homem, quem inadvertidamente se aproximou de Ana e aos poucos foi por ela ganhando uma grande afeição.
A visita da sua neta Joan (a avó chamava-se Joana, daí ...) durante as férias de Verão, acabou por empurrar decididamente João para Ana. De  um modo muito sui generis Joan ao partir de novo para Inglaterra deixava já o seu avô apaixonado por Ana. João e Ana, acabaram por casar, e a sua filha Susana radiante com isso, convidou-os para realizarem o casamento aquando do baptizado do seu filho Artur, que acabara de nascer, e assim foi. João e Ana, viveram felizes durante alguns anos (não para sempre!) e a sua felicidade era bela e contagiante. No entanto, qual "Tsunami" em mar calmo, Ana viria a falecer vítima de um tumor cerebral, que ela sabia ter, mas que sempre ocultou de João por o não querer ver sofrer (só lendo!).
Após a sua morte, João retoma a depressão e regressam os antigos fantasmas, levando-o muitas vezes a vaguear indefinidamente pelas ruas e becos da cidade.
É precisamente num desses "passeios" sem sentido aparente, que ele encontra Pedro. Pedro é um homem visionário, largara a sua fortuna e vivia como um mendigo ou quase. No entanto, nesse breve encontro, ensina a João que nem tudo o que se vê ... é, e nem tudo o que é ... se vê. Para ele, a vida era vista como uma espécie de "Matrix", temos segundo ele, de aprender a ver e a ouvir tudo de novo, se quisermos abrir os olhos realmente. E realmente, este conselho e esta maneira de ver o mundo, viria mais tarde a ser por demais importante para João.
Algum tempo mais tarde, João é agredido e assaltado quando num dos seus "passeios" se perde, e dá consigo num qualquer beco sem saída. É salvo por uma mulher (Sandra) que saía de um bar, e se apercebeu do sucedido, enviando-o para o hospital, e visitando-o regularmente até o saber bem, depois desaparece tão misteriosamente como aparecera. A braços com uma amnésia provocada pela agressão de que fora vítima, João estava sem saber na mesma enfermaria que Pedro. Mais tarde, veio a descobrir tudo ao ver o caderninho que Ana lhe deixara e do qual ele nunca mais se separara. O caderninho (um diário) desaparecera durante o assalto, e fora recuperado mais tarde por Pedro, que o reconheceu e o tirou ao assaltante, vindo no decorrer desse acontecimento a morrer esfaqueado.
João recupera a memória ao ver o caderno, e decide homenagear o seu amigo, acabando por ele a viagem que este fazia até Santiago de Compostela por promessa. Aqui reaparece a amiga Natalie (Nat, como Joan lhe chamava!) insistindo com ele para o acompanhar na sua viagem, e assim foi. Em Santiago de Compostela, João cumpre a antiga promessa do seu amigo e depois feita sua. Aí também o seu interior consegue de algum modo tal como lhe ensinara Pedro, desligar o "Matrix" da vida, e ele pela primeira vez em muitos anos, vê claro muito do que se passava à sua volta.
João e Natalie, conheceram-se melhor naqueles três dias do que em anos anteriores de relacionamento profissional (Natalie era a sua galerista) e de amizade (sempre se deram muito bem). Descobertas as suas histórias antigas (família e juventude) por acaso, ambos sentem que afinal partilham ideias, gostos e atitudes perante a vida, e sentem-se misteriosamente unidos por um passado, cujas histórias ao que sabem (agora) encaixam perfeitamente de tão incrivelmente idênticas que são. Nenhum dos dois desvenda esse véu, mas ... ambos reconhecem que existe algo por explicar.
De regresso a Portugal, João e "Nat" olham-se mutuamente com "outros" olhos, e à sua maneira, e cada qual com as suas razões, decidem silenciosamente deixar assim esse mistério, até que a vida ou neste caso a (... ...) de João o faça por eles.

4 comentários:

Juliana. disse...

Meu amigo Urbano, escreve muito bem! Bela história! Interessantíssima! Continue! Um abraço e mais, uma ótima semana que está se adentrando por ai!

Fatima disse...

Muito bem contado!
Mudou o blog heim?
Ficou ótimo!
bjs.

Regina Rozenbaum disse...

Urbano, amigo, amado!
Estou em falta com você e muitos outros amados...Peço-lhe desculpas, mas são "coisas" da vida que insistem em nos tirar do prumo. Adorei o novo layout do blog!!! Mais clean rsrs Meu querido, hoje, vim para pedir-lhe uma doação...pode me/nos ajudar? Tá lá no Divã e desde já o meu OBRIAGADA!
Beijuuss n.c.

www.toforatodentro.blogspot.com

JB disse...

Acabei de conhecer o seu espaço e... gostei imenso da sua prosa!

Abraço

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