__________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________

Em cada um de nós existe um poema .
Um por escrever ... um escrito que se quer procurado e se mantêm escondido na alma ... no coração.
Ser poeta ... não é escrever poemas.
É saber descobrir na poesia ... a parte que falta em si, a parte que falta ... nos outros .

Urbano Gonçalo




segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Excerto do meu romance "Genéve" (13)


Um mês se passou comigo a lutar interiormente com uma vontade que ganhava peso à medida que os dias passavam. Um dia à tarde estava eu a dar uma vista de olhos pelo jornal, sentado num banco do parque, quando me atiraram com um boné para cima, era claro a Nat.
- O Sr. António do quiosque agradece teres tomado lá café e comprado o jornal, mas diz que não precisa do teu boné para nada!
- Já é a terceira vez que eu esta semana tento disfarçadamente livrar-me desse boné, mas ele volta sempre, bolas! - disse eu tentando não me rir.
- Bem, se o problema é esse fico eu com ele, se o virar ao contrário dá por exemplo para cesto dos papéis, cinzeiro, ... !!
- Não querias mais nada, dá cá, dá cá!
Estivemos um bocado como dois miúdos a puxar o pobre boné, cada qual para o seu lado, até ela perder as forças com o riso.
- E então, já te decidiste?
- Já me decidi? Sobre o quê?
- Sobre o quê eu não sei, mas que andas para ai a magicar qualquer coisa ai isso andas!
- Querem ver agora este fedelho, que pensa ser o "Sherlock" cá da zona!
- Por acaso o "Sherlock" cá da zona é o cão da minha vizinha do terceiro andar, e a esse eu não consigo ler os pensamentos! Mas a ti meu menino, a conversa já é outra!
- Às vezes fazes-me lembrar a Joan, para vocês as duas eu sou um livro aberto, não é?
- Às vezes, poucas aliás!
- Está bem desisto, de qualquer das maneiras também já me decidi!
- Óptimo, conta com o meu apoio!
- Mas ainda não te disse o que decidi!
- Ora! Certamente que é qualquer coisa muito sensata! - gracejou ela com um risinho à mistura.
- Lembras-te do Pedro? Aquele sujeito que perdeu a vida ao tentar recuperar o caderninho da Ana?
- Sim , claro!
- Nem soube sequer onde foi enterrado, e não me sinto bem com isso! Quero e vou prestar-lhe a minha homenagem.
- E como tencionas fazer isso?
- Lembro-me de que ele estava a fazer o caminho de Santiago de Compostela, e quase de certeza não o conseguiu por minha causa, assim sendo penso que devo terminar a viagem por ele.
- Como? A pé e sem nada? Estás louco?
- Não, não vou a pé e sem nada, embora ele o merecesse, porque sei que não tenho saúde para isso nem tenho a coragem dele, senão até o faria. Mas posso ir de comboio ou de autocarro, sei que até há excursões ou lá o que lhes chamam, para visitar precisamente esse local.
- Compreendo! Então ... fazemos assim, eu também vou e levo-te comigo de carro.
- Sei que prometes-te à minha filha ficar de olho em mim, mas não é preciso exagerar!
- Não tem nada a ver com isso, a sério!
- E a tua galeria?
- Fecho dois ou três dias, lembras-te de te dizer que não vivo própria mente dela?
- Sim, mas não me sinto à vontade com isso!
- Então eu peço à  Verónica para lá ficar durante esses dias!
Decidi-mo-nos pela segunda-feira seguinte, deveria ser mais fácil viajar durante o semana e assim o fizemos, depois de almoçar-mos no "nosso" restaurante, (isto porque insisti com ela para me deixar ao menos pagar-lhe o almoço).
- Vocês descreveram tão bem o restaurante, que me parece que já cá vim antes!
- Gostava de te apresentar a dona, a D. Ivone, mas pelos vistos eu e ela andamos desencontrados.
Nat olhava à sua volta com um sorriso na cara de satisfação, e vê-la assim deixou-me feliz, tanto mais que entretanto chegava a D. Ivone ao restaurante, dirigindo-se a nós quando me viu.
- Bom, pela idade desta bela jovem não me parece ser sua neta, talvez ... filha?
- Não, não é, embora se eu pudesse escolher uma, não hesitaria um só momento em escolhe-la! Esta bela jovem como você disse e muito bem, é a minha querida amiga e galerista Natalie.
- O senhor e as suas surpresas, como está minha querida?
- Bem, muito obrigada! - respondeu-lhe a Nat, um pouco envergonhada.   

3 comentários:

Fatima disse...

Extou agora na página 20.
Gostando, sem "panos quentes".
Bjs.

G I L B E R T O disse...

Urbano

Gosto da forma como dialogas! é o jeito luso de ser, sem tirar nem por!

Deu saudades do meu pai... Vou ligar para ele agora mesmo, aí em Portugal!


Abraços, meu querido amigo!

Rosane Marega disse...

Oie Urbano, seja bem vindo sempre ao meu cantinho romântico e eu adorei o teu blog.
Beijosss

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...